PESQUISA BENDIZER Nº 001 — 2026
Sinais da Caminhada: experiências espirituais, arco-íris e construção de sentido na jornada tentante
Linha de Pesquisa: Espiritualidade, Fertilidade e Desenvolvimento Humano
Autora: Gabriela Lacerda
Centro de Pesquisa Bendizer em Espiritualidade, Fertilidade e Desenvolvimento Humano
Nota Editorial
O presente relatório reúne os resultados da Pesquisa Bendizer 001, realizada entre os dias 19 e 30 de junho de 2026, com mulheres vinculadas ou expostas ao universo Bendizer. O estudo teve caráter exploratório e descritivo, com o objetivo de compreender percepções, relatos e significados atribuídos a experiências espirituais, sinais, sonhos, intuições, arco-íris e sincronicidades na jornada tentante. Os dados aqui apresentados não têm finalidade clínica, diagnóstica ou terapêutica. Seu propósito é registrar, organizar e analisar um campo de experiência construído ao longo da atuação do Instituto Bendizer junto a mulheres em jornada de fertilidade.
Sinais da Caminhada: experiências espirituais, arco-íris e construção de sentido na jornada tentante
O Centro de Pesquisa Bendizer realizou a Pesquisa Bendizer 001 — Sinais da Caminhada: experiências espirituais, arco-íris e construção de sentido na jornada tentante, com o objetivo de compreender como mulheres que vivem ou viveram a jornada da fertilidade percebem experiências espirituais, sonhos, intuições, sinais, arco-íris, sincronicidades e acontecimentos carregados de significado ao longo desse percurso.
A pesquisa nasceu da experiência acumulada pelo Instituto Bendizer ao longo de 10 anos acompanhando mulheres em jornadas de infertilidade, fertilização in vitro, perdas gestacionais, espera, preparação espiritual para a maternidade e construção de vínculo com o bebê desejado. Dentro desse campo de atuação, tornou-se recorrente o relato de experiências espirituais associadas à caminhada tentante, especialmente sonhos, músicas, sinais da natureza, intuições, sensações de presença e aparições de arco-íris em momentos emocionalmente relevantes.
O objetivo deste estudo não foi comprovar manifestações espirituais de forma objetiva, prever desfechos gestacionais ou afirmar que determinados sinais garantem a chegada de uma criança. Também não se pretendeu substituir acompanhamento médico, psicológico, terapêutico ou qualquer forma de cuidado profissional. A proposta foi escutar, organizar e analisar, com seriedade e responsabilidade, como essas experiências são percebidas e significadas por mulheres que já tiveram contato com o universo Bendizer.
Percurso metodológico
A Pesquisa Bendizer 001 foi realizada por meio de questionário digital, composto por questões fechadas e abertas, entre os dias 19 e 30 de junho de 2026.
O formulário foi divulgado via WhatsApp para a lista de alunas e ex-alunas do Instituto Bendizer, bem como pelo canal oficial do Instituto Bendizer no Instagram. Ao todo, foram obtidas 105 respostas válidas, todas com aceite livre e anônimo de participação.
As questões fechadas foram analisadas por estatística descritiva simples, e as respostas abertas foram organizadas por leitura temática, a partir dos principais sentidos recorrentes nos relatos.
Essa informação é fundamental para a leitura metodológica dos dados. A amostra não representa todas as mulheres em jornada tentante, mas um grupo específico de mulheres que, em alguma medida, já teve contato com o Instituto Bendizer, seus conteúdos, sua linguagem espiritual, suas práticas, sua comunidade ou sua forma de compreender a infertilidade como uma experiência que envolve corpo, emoção, espiritualidade e desenvolvimento humano.
Dessa forma, os resultados devem ser interpretados dentro desse recorte: trata-se de um estudo exploratório sobre a percepção de experiências espirituais entre mulheres vinculadas ou expostas ao campo simbólico e espiritual construído pelo Bendizer ao longo de sua atuação.
Essa delimitação não diminui a relevância dos achados. Ao contrário, permite compreender com mais precisão o público pesquisado e o contexto no qual os relatos foram produzidos. O estudo não busca afirmar que todas as mulheres tentantes vivenciam a espiritualidade da mesma forma, mas compreender como mulheres que tiveram contato com o Bendizer organizam, interpretam e atribuem sentido às experiências espirituais presentes em suas jornadas.
Perfil das participantes
A pesquisa contou com 105 participantes. Em relação à idade, a maior parte das respondentes encontra-se em faixas etárias mais maduras da vida reprodutiva: 39% têm entre 41 e 45 anos, 27,6% têm acima de 45 anos, 19% têm entre 36 e 40 anos, 12,4% têm entre 31 e 35 anos e 1,9% têm entre 26 e 30 anos.
Esse dado é relevante porque indica que a amostra é formada, em grande parte, por mulheres que atravessaram ou atravessam a fertilidade em um momento de maior complexidade biológica, emocional e existencial. A pesquisa, portanto, não se concentra em experiências iniciais ou superficiais da tentativa de engravidar, mas em jornadas frequentemente longas, marcadas por espera, tratamentos, decisões importantes, perdas, recomeços e amadurecimento.
Em relação ao tempo de jornada tentante, 46,7% das participantes afirmaram viver ou ter vivido essa experiência por mais de seis anos. Outras 26,7% relataram uma jornada entre quatro e seis anos, e 16,2% entre dois e quatro anos. Somadas, essas respostas indicam que 89,6% das participantes vivenciaram a jornada tentante por mais de dois anos.
Esse dado reforça a profundidade existencial da amostra. A espera prolongada tende a mobilizar não apenas o corpo físico e os recursos médicos, mas também questões emocionais, familiares, conjugais, espirituais e identitárias. Para muitas mulheres, a infertilidade não é apenas um diagnóstico: é uma travessia que reorganiza a relação com a vida, com Deus, com o corpo, com o tempo, com o desejo de maternidade e com a própria história.
Quanto à fase da jornada, 49,5% das participantes afirmaram já ser mães após uma jornada de infertilidade. Outras respondentes estavam em fertilização in vitro, em tratamento de reprodução assistida, tentando engravidar naturalmente, em pausa dos tratamentos, após perda gestacional, em investigação de infertilidade ou em outras fases da caminhada.
Esse dado permite observar que a pesquisa reuniu tanto mulheres que ainda atravessam a espera quanto mulheres que já passaram pela jornada e, a partir da experiência vivida, puderam olhar retrospectivamente para os sinais, sentidos e transformações percebidos ao longo do caminho.
Experiências espirituais relatadas
Um dos dados centrais da pesquisa é que 94,3% das participantes afirmaram já ter vivido alguma experiência interpretada como sinal, sincronicidade ou manifestação espiritual durante a jornada.
A formulação desse dado exige cuidado. A pesquisa não afirma que 94,3% das participantes receberam sinais espirituais em sentido objetivo. O que os dados demonstram é que 94,3% relataram ter vivido experiências que elas próprias interpretaram como sinais, sincronicidades ou manifestações espirituais.
Essa distinção é importante para preservar o rigor ético da análise. O estudo investiga a experiência subjetiva e o significado atribuído pelas mulheres, e não a comprovação externa ou material dessas experiências.
Entre as experiências mais relatadas estão: borboletas, pássaros, flores ou elementos da natureza com significado especial, mencionados por 80% das participantes; arco-íris em momento significativo, citado por 79%; sonhos com bebê ou criança, relatados por 76,2%; intuição forte sobre um caminho a seguir, mencionada por 70,5%; músicas que apareceram em momentos importantes, citadas por 68,6%; mensagens, frases ou conversas inesperadas, relatadas por 64,8%; sensação de presença de um filho, indicada por 58,1%; sensação de paz repentina, mencionada por 55,2%; sinais durante oração ou meditação, indicados por 48,6%; coincidências repetidas, citadas por 45,7%; sonhos com gravidez e sinais durante tratamento médico, ambos com 44,8%; e sinais após uma perda gestacional, relatados por 22,9%.
Esses dados revelam que, para o público pesquisado, as experiências espirituais não se limitam a um único tipo de manifestação. Elas aparecem em diferentes linguagens: sonhos, natureza, corpo, oração, música, intuição, tratamento médico, perdas, conversas e acontecimentos cotidianos. A espiritualidade, nesse contexto, não surge separada da vida concreta, mas atravessando os momentos comuns e extraordinários da jornada.
O arco-íris como símbolo recorrente
O arco-íris ocupou um lugar de destaque na Pesquisa Bendizer 001. Quando perguntadas se o arco-íris já havia aparecido em algum momento significativo da jornada, 82,9% das participantes responderam que sim.
Esse dado confirma a força simbólica do arco-íris dentro do universo Bendizer e na experiência das mulheres pesquisadas. Ao longo dos anos, o arco-íris tornou-se um dos símbolos mais recorrentes da caminhada espiritual das tentantes acompanhadas pelo Instituto Bendizer, frequentemente associado à esperança, à travessia, à presença espiritual, à confiança e à percepção de que a vida continua se organizando mesmo nos períodos de espera.
A pesquisa também investigou os contextos em que o arco-íris apareceu. As respostas indicam que ele foi percebido principalmente em momentos de gratidão, relatados por 58,1% das participantes; durante ciclos de tratamento, por 44,8%; após oração e em momentos de decisão, ambos com 40%; em momentos de dúvida, por 39%; durante ou após consulta médica, por 26,7%; após notícia difícil e em momentos de tristeza, ambos por 18,1%; e após perda gestacional, por 15,2%.
Esses dados sugerem que o arco-íris aparece, para muitas participantes, em momentos de alta carga emocional e espiritual. Ele não surge apenas em situações de alegria, mas também em contextos de dúvida, decisão, tratamento, dor e reorganização interior. Por isso, sua importância não está apenas no fenômeno visual, mas no sentido atribuído a ele dentro da história de cada mulher.
Na perspectiva analisada pela pesquisa, o arco-íris não deve ser interpretado como promessa de gestação, garantia de resultado ou confirmação obrigatória de um caminho. Seu valor está na forma como muitas mulheres o percebem como linguagem de sentido, consolo, presença, esperança e sustentação durante a travessia.
Efeitos subjetivos dos sinais
Um dos achados mais relevantes da Pesquisa Bendizer 001 está nos efeitos subjetivos atribuídos aos sinais e acontecimentos espirituais.
Quando perguntadas sobre o que sentiram ao perceber o sinal ou acontecimento, as participantes relataram principalmente presença espiritual, citada por 67,6%; esperança, por 66,7%; confiança, por 63,8%; emoção, por 61%; paz, por 60%; conexão com o bebê, por 48,6%; e alívio, por 18,1%.
Os sentimentos de medo e comparação com outras mulheres não apareceram como respostas expressivas nessa pergunta. A ansiedade foi mencionada por 2,9% das participantes, e a dúvida por 1,9%.
Esses resultados indicam que, para a maior parte da amostra, os sinais e sincronicidades não foram percebidos como fonte predominante de medo, superstição ou cobrança espiritual. Ao contrário, foram majoritariamente associados a experiências de presença, esperança, confiança, emoção, paz e vínculo.
Quando perguntadas se essas experiências influenciaram a forma de atravessar a jornada, 83,8% das participantes responderam que ajudaram muito; 5,7% afirmaram que ajudaram um pouco; 6,7% não souberam dizer; 2,9% disseram que não influenciaram; e 1% afirmou que geraram mais ansiedade.
Esse dado é central para a leitura da pesquisa. Ele indica que, para a maioria das respondentes, as experiências espirituais relatadas não foram apenas acontecimentos isolados, mas recursos subjetivos de sustentação durante a espera.
A pesquisa também utilizou escalas de 0 a 10 para avaliar o quanto essas experiências fortaleceram esperança, paz interior e vínculo com o bebê desejado. Em relação à esperança, 80% das participantes atribuíram nota 10, com média de 9,59. Em relação à paz interior, 78,1% atribuíram nota 10, com média de 9,51. Em relação ao vínculo com o bebê desejado, 79% atribuíram nota 10, com média de 9,47.
Esses resultados demonstram uma associação forte entre experiências espirituais percebidas e fortalecimento subjetivo da esperança, da paz e do vínculo com o bebê. Mais uma vez, a interpretação ética dos dados exige cuidado: a pesquisa não demonstra que sinais espirituais produzem gestação ou alteram resultados médicos. Ela indica que, entre as mulheres pesquisadas, tais experiências foram percebidas como fortalecedoras da vida interior e da capacidade de atravessar a jornada.
A busca por sinais e o cuidado com a ansiedade
Embora os dados indiquem efeitos predominantemente positivos, a pesquisa também identificou um aspecto importante: a busca por sinais pode aumentar a ansiedade em parte das mulheres.
Quando perguntadas se, em algum momento, a busca por sinais aumentou sua ansiedade, 54,3% responderam que não; 31,4% responderam que sim, um pouco; 3,8% responderam que sim, muito; e 10,5% afirmaram que nunca buscaram sinais.
Esse dado é eticamente relevante. Ele mostra que as experiências espirituais, quando buscadas como forma de controle, confirmação obrigatória ou garantia de futuro, podem deixar de sustentar a jornada e passar a produzir tensão emocional.
A Pesquisa Bendizer 001, portanto, não autoriza uma espiritualidade baseada em cobrança por sinais. Pelo contrário. Os dados reforçam a necessidade de orientar as mulheres para uma relação mais serena, madura e responsável com essas experiências.
Sinais espirituais não devem ser tratados como prova de merecimento, confirmação de gravidez ou substituição da escuta interior. Da mesma forma, a ausência de sinais não deve ser interpretada como ausência de conexão, abandono espiritual ou sinal negativo.
A pesquisa confirmou essa nuance ao perguntar o que a ausência de sinais significava para as participantes. Embora 50,5% tenham respondido que entendem que cada jornada tem sua própria linguagem, 22,9% disseram já ter pensado que a ausência de sinais significava ausência de conexão; 9,5% associaram essa ausência à falta de merecimento; e 7,6% já a interpretaram como sinal negativo.
Esse achado é muito importante. Ele mostra que, apesar da força positiva dos sinais para muitas mulheres, também existe um risco de sofrimento quando a espiritualidade é vivida a partir de comparação, expectativa, medo ou sensação de exclusão. Por isso, uma das contribuições éticas do Bendizer é justamente afirmar que cada jornada possui sua própria linguagem e que a paz continua sendo mais importante do que a busca constante por confirmação externa.
Espiritualidade, fé e atravessamento da jornada
Ao serem perguntadas sobre quais elementos foram ou têm sido mais importantes na jornada, 83,8% das participantes indicaram fortalecer a fé; 63,8% apontaram orar ou meditar; 62,9% mencionaram sentir paz; 61% indicaram conversar com o bebê no plano espiritual; 59% apontaram aceitar os tempos da vida; 57,1% mencionaram desenvolver autorresponsabilidade; 56,2% citaram ter sinais espirituais; 46,7% indicaram trabalhar perdão; 45,7% apontaram acolher o próprio corpo; 44,8% mencionaram ter apoio emocional; e 42,9% indicaram ter acompanhamento médico.
Esse conjunto de respostas mostra que, para a amostra pesquisada, os sinais espirituais são importantes, mas não aparecem sozinhos. Eles compõem um campo mais amplo de sustentação que inclui fé, oração, meditação, paz, vínculo com o bebê, aceitação do tempo, autorresponsabilidade, perdão, acolhimento do corpo, apoio emocional e acompanhamento médico.
Esse dado é especialmente relevante porque demonstra que a espiritualidade vivida por essas mulheres não se apresenta, necessariamente, como negação da medicina. Ao contrário, a jornada parece ser compreendida de forma integrada: corpo, fé, tratamento, emoção, vínculo e sentido participam da mesma travessia.
Quando perguntadas se a espiritualidade as ajudou a lidar com exames, diagnósticos, tratamentos ou perdas, 89,5% responderam que sim, muito; 7,6% responderam que sim, um pouco; e 2,9% indicaram que a pergunta não se aplicava.
Esse dado confirma que a espiritualidade, para o público pesquisado, funciona como recurso importante de enfrentamento. Não como substituição do cuidado médico, mas como dimensão de sentido e sustentação emocional diante de processos que frequentemente envolvem incerteza, espera, medo, custo financeiro, dor física, expectativa e luto.
Transformação interior
A Pesquisa Bendizer 001 também investigou se a jornada de fertilidade trouxe algum tipo de transformação interior. A resposta foi expressiva: 86,7% das participantes afirmaram que sim, profundamente; 12,4% responderam que sim, em alguns aspectos; e 1% afirmou ainda não saber.
Entre as transformações percebidas, 85,7% das participantes relataram mais conexão espiritual; 81,9% indicaram mais fé; 81,9% mencionaram mais consciência sobre si mesmas; 73,3% relataram mais amor pelo filho desejado; 70,5% indicaram mais confiança; 63,8% mencionaram mais humildade; 58,1% relataram mais cuidado com o corpo; e 57,1% indicaram mais paciência.
Também apareceram respostas ligadas a aspectos desafiadores: 7,6% relataram mais cansaço emocional; 4,8% mencionaram mais medo; e 3,8% indicaram mais necessidade de controle.
Esse conjunto de dados permite uma leitura equilibrada. A jornada tentante não deve ser romantizada. Ela pode ser dolorosa, longa, cansativa e emocionalmente exigente. No entanto, para a maior parte das mulheres pesquisadas, ela também foi percebida como um processo de profunda transformação interior.
Esse achado dialoga com uma das compreensões centrais do Bendizer: a infertilidade não deve ser reduzida a um diagnóstico, nem tratada como castigo, punição ou fracasso. Ela pode ser compreendida, dentro da perspectiva espiritual Bendizer, como uma travessia que convida à ampliação da consciência, à reconstrução da fé, ao amadurecimento emocional, ao fortalecimento do amor e à reorganização da própria relação com a vida.
A maternidade antes do positivo
Um dos dados mais significativos da Pesquisa Bendizer 001 é que 96,2% das participantes afirmaram já ter sentido que a maternidade começou antes do positivo.
Esse resultado ocupa lugar central na interpretação do estudo, porque expressa uma das formulações mais importantes da experiência Bendizer: para muitas mulheres, a maternidade não começa apenas no exame positivo, na gestação ou no nascimento. Ela pode começar antes, no vínculo, na oração, na conversa interior, na preparação emocional, na construção de sentido e no amor direcionado ao filho desejado.
A pesquisa também perguntou se as participantes conversam, oram, escrevem ou mentalizam o bebê que desejam receber. Entre as respondentes, 64,8% afirmaram fazer isso frequentemente; 16,2% disseram fazer às vezes; 16,2% afirmaram que já fizeram, mas pararam; 1,9% responderam que não; e 1% indicou não saber como fazer isso.
Quando perguntadas sobre como essas práticas as ajudam, 73,3% disseram que fortalecem a esperança; 67,6% afirmaram que aumentam o vínculo com o bebê; 62,9% responderam que ajudam a atravessar a espera; e 61,9% disseram que fortalecem a paz.
Esse conjunto de respostas reforça a ideia de que, para o público pesquisado, o vínculo materno pode ser vivido antes da confirmação biológica da gestação. Não se trata de negar a importância do corpo, da medicina ou do positivo. Trata-se de reconhecer que a experiência subjetiva da maternidade pode começar em um espaço interior anterior à materialização física do encontro.
Essa compreensão é especialmente importante para mulheres em jornada de infertilidade, porque desloca a maternidade do campo exclusivo do resultado e a aproxima do campo da relação. A mulher não deixa de desejar a chegada do filho, mas passa a construir, desde antes, uma forma de vínculo, cuidado, presença e amor.
O que os sinais representam
Ao serem perguntadas sobre o que consideram mais importante quando se fala em sinais espirituais na jornada tentante, 57,1% das participantes responderam que eles devem fortalecer a conexão com Deus ou com a espiritualidade; 14,3% indicaram que devem trazer paz; 13,3% afirmaram que devem ajudar a atravessar a espera; 7,6% mencionaram que devem fortalecer o vínculo com o bebê; 6,7% responderam que devem confirmar que a gravidez vai acontecer; e 1% destacou que eles não devem se tornar motivo de ansiedade.
Esse dado é muito relevante porque mostra que, para a maioria das respondentes, os sinais espirituais não são vistos principalmente como confirmação de gravidez. A resposta mais frequente foi a conexão com Deus ou com a espiritualidade.
Isso permite afirmar que, dentro da amostra pesquisada, os sinais da caminhada foram compreendidos majoritariamente como experiências de conexão, sentido, fortalecimento espiritual e sustentação da espera, e não como instrumentos de previsão ou controle do futuro.
Essa distinção é essencial para a leitura ética da pesquisa. A espiritualidade, quando vivida com maturidade, não deve funcionar como mecanismo de controle sobre a vida. Ela pode ajudar a mulher a permanecer conectada, confiante e presente, mesmo quando o resultado ainda não chegou ou quando a jornada toma caminhos inesperados.
Análise dos relatos abertos
As questões abertas da pesquisa revelaram relatos de grande intensidade emocional e espiritual. As participantes descreveram sonhos com bebês e crianças, nomes percebidos intuitivamente, músicas surgidas em momentos de decisão, arco-íris após orações, sinais durante tratamentos médicos, experiências em ciclos de fertilização in vitro, intuições sobre caminhos a seguir, sensações de presença, elementos da natureza e acontecimentos interpretados como respostas espirituais.
Também apareceram relatos ligados a perdas gestacionais, recomeços após negativos, decisões sobre tratamentos, fortalecimento do vínculo conjugal, cuidado com o corpo, terapia, mudança de postura diante da jornada e experiências de maternidade vividas depois de longos períodos de espera.
Em alguns relatos, o Bendizer apareceu como espaço de pertencimento, orientação, linguagem e reorganização espiritual. Algumas participantes relacionaram suas experiências à leitura de materiais, cursos, meditações, orações ou conteúdos do Instituto Bendizer. Isso reforça o dado metodológico de que a amostra não é neutra em relação ao campo pesquisado: muitas respondentes já tiveram contato prévio com a forma Bendizer de compreender a infertilidade, a espiritualidade, os sinais e a maternidade antes do positivo.
Essa informação não invalida os relatos. Pelo contrário, ajuda a compreendê-los. A pesquisa mostra como mulheres que passaram pelo universo Bendizer nomeiam e significam experiências espirituais durante a jornada tentante. O Bendizer não aparece apenas como instituição responsável pela pesquisa, mas como um campo simbólico, espiritual e comunitário que participa da formação da linguagem com que muitas dessas mulheres compreendem a própria caminhada.
As respostas abertas também revelam que, para muitas participantes, a espiritualidade não elimina a dor, mas oferece um modo de atravessá-la. Em diversos relatos, os sinais não aparecem como promessa de ausência de sofrimento, mas como experiências que ajudam a continuar, a confiar, a cuidar do corpo, a tomar decisões, a reorganizar a fé, a aceitar o tempo e a perceber que a jornada não se reduz ao resultado.
Vozes da Pesquisa
As respostas abertas da Pesquisa Bendizer 001 ampliam a compreensão dos dados quantitativos e revelam a profundidade emocional, espiritual e simbólica da jornada tentante. Nos relatos, os sinais da caminhada não aparecem apenas como acontecimentos isolados. Eles surgem associados à oração, ao tratamento médico, às decisões difíceis, às perdas, à espera prolongada, à relação com o bebê desejado e ao contato com o universo espiritual do Bendizer.
Os trechos a seguir foram selecionados de forma anônima e reproduzidos ipsis litteris, preservando a escrita original das participantes. Quando necessário, optou-se por não utilizar relatos que trouxessem informações excessivamente identificáveis. As falas não foram corrigidas, resumidas ou reescritas, justamente para preservar sua integridade ética e documental.
Os relatos não são apresentados como comprovação objetiva de manifestações espirituais, nem como garantia de desfechos gestacionais. Eles expressam a forma como as participantes significaram acontecimentos vividos ao longo de suas jornadas.
1. O arco-íris como sinal de esperança, decisão e continuidade
O arco-íris aparece nas respostas abertas como um dos símbolos mais recorrentes da pesquisa. Em diferentes relatos, ele surge em momentos de dúvida, decisão, oração, tratamento, espera ou necessidade de fortalecimento interior. Para muitas participantes, sua presença foi interpretada como sinal de paz, amparo, esperança e continuidade da caminhada.
“Ver um arco-íris após o último negativo.”
“Conforto, esperança e a certeza de que tudo vai dar certo.”
“Era primeiro dia de retiro e eu precisava decidir se continuaria o tratamento para coleta dos óvulos, quando veio um lindo arco íris ao final da tarde.”
“Esse é o assunto q mais vem em meus pensamentos, engravidar…e por um tempo eu vivia procurando esses arco-íris, mas por algumas vezes eu simplesmente os via sem ficar procurando entende…ai percebi q o tempo de Deus não é igual ao meu…e que aquele arco-íris q me aparecia quando não estava na procura era o sinal de que o tempo vai chegar…no tempo de Deus vai acontecer.”
“Sempre tem experiência pra contar
Qd aparece um arco iris sinto sinal de paz e esperança de dias melhores na minha vida, pq a gente não procura os sinais , eles chegam e nos avisam.
Exemplo: um sinal q fala , olhe agora pro céu, aí tem lá um arco-íris, as vezes mesmo sem chuva, sem dias nublados, As vezes um passarinho, um beija flor , uma música; Algo pra dizer: vai ficar tudo bem , eu estou aqui, Deus conversa com a Gente o tempo todo.É preciso parar pra sentir e ouvir Ele”.
A leitura desses relatos permite compreender o arco-íris como um símbolo de sustentação subjetiva. Ele não aparece apenas como imagem bonita ou coincidência visual, mas como acontecimento interpretado por algumas participantes como linguagem espiritual de amparo, direção e esperança.
2. O arco-íris como pista espiritual na aproximação do filho
Alguns relatos associam a aparição do arco-íris a ciclos que resultaram em positivo, gestação ou nascimento. Esses relatos devem ser lidos com discernimento. Eles não demonstram que o arco-íris determina uma gestação ou garante um desfecho, mas revelam que, para parte das participantes, esse símbolo foi vivido como pista espiritual, confirmação íntima, fortalecimento de fé ou sinal de amparo durante a aproximação do filho.
“Apareceu um arco-íris duplo 2x: 1 apos a biopsia (estava indo levar o exame no laboratório) e 1x orando na minha casa e tive geneos apos 10 anos de tentante”
“Após meditação e conexão com meu bebê, logo em seguida apareceu um arco-íris lindo confirmando a pergunta que tinha feito a Espiritualidade.”
“Em uma das meditações de um retiro eu tive a visualização de duas meninas que conversavam comigo, que eu tinha certeza que eram minhas filhas, mas a época atribui as duas perdas gestacionais que tive e fechamento de ciclo. Na sequência apareceram 2 arco-íris duplos por duas vezes, a primeira vez logo na sequência da meditação e a outra no caminho de volta para o hotel. Ao chegar no hotel olho o celular e no momento da meditação o pai das minhas filhas visualizou um arco-íris duplo e tinha me enviado a foto. Depois de algum tempo fiquei grávida de gêmeas, duas meninas.”
Esses relatos ajudam a compreender a força simbólica do arco-íris no campo Bendizer. Para algumas mulheres, ele foi percebido como sinal de continuidade; para outras, como amparo em meio à dor; e, em alguns casos, como pista espiritual associada à aproximação concreta do filho.
3. A natureza como linguagem espiritual
Além do arco-íris, muitos relatos mencionam pássaros, beija-flores, joaninhas, borboletas, animais, perfumes e outros elementos da natureza. Essas experiências foram descritas como acontecimentos carregados de significado, frequentemente associados à esperança, ao cuidado espiritual e à percepção de que a vida continuava se comunicando com a mulher durante a espera.
“Todas as vezes que eu me sintonizava com a esperança de ser mãe, aparecia revoada de pássaros.”
“Quando comecei a fazer o tratamento p fiv passei a ver TODOS os dias pássaros. Onde trabalhava tinha um pássaro q construiu seu ninho, com paciência e cuidado. Ver pássaros até hj me lembra de amor e cuidado. Sempre q os via repetia p mim mesma q era seguro ter esperança e bons pensamentos. Um pensamento q me ancorava e me tirava da ansiedade”
“O Beija-flor para mim é sinal de que estou sendo cuidada e amada pela espiritualidade superior, me lembra o real propósito da vida na Terra.”
“Algumas vezes quando estou muito sem esperança e vejo uma joaninha ou um arco íris que me ajuda a lembrar do que é importante.”
A natureza, nesses relatos, aparece como linguagem espiritual sensível. Não se trata de atribuir significado universal a cada elemento natural, mas de reconhecer que, dentro da história de cada participante, determinados acontecimentos passaram a carregar sentido, presença e amparo.
4. Sonhos, intuições e vínculo com o bebê antes da gestação
Outro eixo expressivo das respostas abertas foi a presença de sonhos, intuições, nomes percebidos interiormente, sensações de presença e vínculos estabelecidos com o bebê antes da gestação. Esses relatos dialogam diretamente com um dos achados centrais da pesquisa: a percepção, para muitas mulheres, de que a maternidade pode começar antes do positivo.
“Vivi muitas experiências bonitas antes da chegada da minha filha. Em sonho, ela se apresentou algumas vezes e, já grávida, mas antes de saber o sexo, ela se apresentou para mim como minha filha e disse a frase que mais me marcou: “Vim, porque vc aprendeu a amar para me ensinar o amor”.”
“O encontro com o espírito que será a minha filha. E hoje entendo outro sonho que tive, com quem seria o meu filho, mas ele dizia que ainda não era a hora.”
“Conversei com a espiritualidade antes de dormir, pois poderia ter um sinal no sonho e sonhei com um coelho de pelúcia azul..e foi muito significativo pra mim.”
“A conexão com o meu menino já estava acontecendo antes mesmo dele existir fisicamente.Foi algo incrível saber que ele já havia me escolhido ♥️”
Esses relatos não devem ser lidos como previsões ou garantias, mas como expressão de uma experiência subjetiva de vínculo. Para muitas mulheres pesquisadas, a maternidade não começou apenas com o exame positivo, mas com uma relação interior construída por meio de sonhos, oração, intuição, amor e preparação espiritual.
5. Espiritualidade durante tratamentos, FIV e decisões médicas
As respostas abertas também mostram que a espiritualidade esteve presente durante tratamentos médicos, fertilizações in vitro, transferências embrionárias, exames e decisões clínicas. Em muitos casos, os sinais foram relatados não como substitutos da medicina, mas como forma de atravessar procedimentos difíceis com mais confiança, presença e sentido.
“Na Clínica quando fui ao banheiro fazer as afirmações apareceu um arco íris, no som da Clínica uma música que escolhi para conexão com bebê tocou e no consultório do médico tinha um livro da Gaby”
“Logo após implantar o meu bebê na clínica, durante o caminho de casa, vi dois cavalos soltos correndo em um gramado lindo, no meio da cidade. Livres, leves e felizes. Algo bem inusitado. Mas sabia que era a espirualidade agindo e me mostrando que Deus é maravilhoso e que meu bebê poderia vir em paz e ser livre e feliz aqui na terra. “Desça com a ajuda do Arco-íris, aqui você também pode ser livre” me veio esse trecho da oração da Gabby na cabeça imediatamente. Foi muito profundo e emocionante.”
“Foi marcante porque ocorreu em um momento de muitas incertezas no meu tratamento, foi muito importante para o meu fortalecimento, me senti amparada e entendi como uma confirmação de que estava no caminho certo. Me senti muito grata e emocionada.”
Esses relatos reforçam uma das conclusões éticas da pesquisa: espiritualidade e medicina não precisam ser compreendidas como campos opostos. Para as participantes, a espiritualidade frequentemente apareceu como sustentação emocional e simbólica durante procedimentos médicos, sem eliminar a importância dos exames, tratamentos, profissionais e decisões clínicas.
6. Perdas, dor e reconstrução de sentido
A jornada tentante também foi marcada por perdas, negativos, interrupções e lutos. Nos relatos, a espiritualidade não aparece como negação da dor, mas como uma forma de atravessá-la. As participantes não descrevem ausência de sofrimento; descrevem a presença de sentido, amparo e continuidade mesmo diante da dor.
“Após uma perda, eu senti uma paz interior estranhamente boa. Ao voltar pra casa ouvi uma música que sempre tocava nas rádios, mas naquele dia a letra falou comigo: “é uma pena nós separarmos…questões da ciência e progresso náo falam tão alto quanto meu coração. Vamos voltar ao início”. Ali eu soube, no fundo do meu coração, minha alma sentiu.. meu filho iria chegar em algum momento. O positivo veio dois meses depois.❤️”
“Que existe um bebê me esperando, assim como eu espero por ele.
E enquanto esse encontro não acontece, sigo acreditando. Afinal, Deus e a espiritualidade já encontraram formas muito delicadas de dizer que eu não caminho sozinha.”
“Paz, esperança, força de Deus, amparo de Deus e da espiritualidade. Não desistir, acreditar.”
Esses relatos são importantes porque impedem uma leitura romantizada da pesquisa. A espiritualidade, para essas mulheres, não eliminou perdas, frustrações ou sofrimento. Seu papel foi, muitas vezes, oferecer uma forma de atravessar a dor com mais esperança, confiança e dignidade.
7. Relatos que citam diretamente o Bendizer, Gabriela ou Gaby
Uma parte significativa dos relatos abertos menciona diretamente o Bendizer, Gabriela, Gaby ou Gabi. Essas respostas indicam que, para muitas participantes, o Bendizer não foi apenas a instituição responsável pela pesquisa, mas um espaço de pertencimento, linguagem, orientação espiritual e reorganização da forma de viver a jornada tentante.
“Os sinais sempre me ajudaram a direcionar meus caminhos e essa conexão eu devo aos ensinamentos do Bendizer e ao amor que tenho pelas minhas filhas!”
“Meus sonhos parecem reais, sonho com meu filhos nos braços, algumas vezes o arco íris apareceu depois de um dia difícil, foi rapidamente, é sempre emocionante. Encontrar o Bendizer no YouTube com Gabby, foi um sinal claro de Deus me guiando .”
“Hoje já vivo a maternidade com meu bebê bendizer. Mas na minha trajetória de tentante e fiv o Bendizer foi minha bússola. Me conectou com Deus, com meu filho, comigo. Me trouxe e ensinou a ter paz, a como viver em paz. Hoje com meu filho aqui vivo uma maternidade com presença, amor incondicional, intencionalidade . Tudo que mentalizo, quando preciso de orientações com ele oro converso com Deus com mãe Maria do arco íris bendizer e as respostas vem. Sou grata amo e abençoo todo este trabalho que graças a ele me permitiu acordar e viver tudo isso”
“Muitas e muitas borboletas e arco íris enquanto eu fazia caminhada escutando cursos e meditações da Gabi”
“A mais forte para mim, foi quando numa meditação com a Gabby, visitei o quintal da minha avó no interior e com a guiança da Gabby durante a meditação, escolhi, macerei as folhas do quintal dela, caminhei às margens do mangue que tanto brinquei quando criança, e ao passar no meu corpo, o suco dessas ervas, me vi de frente a um espelho, já grávida e desenhei um coração na minha barriga. Foi muito lindo, forte, emocionante. Eu já estava grávida e não sabia.”
Esses relatos mostram que a experiência espiritual investigada está entrelaçada ao campo Bendizer. Não se trata de afirmar causalidade entre o contato com o Bendizer e desfechos gestacionais. O que os relatos permitem afirmar, com responsabilidade, é que muitas mulheres reconhecem no Bendizer um espaço que as ajudou a nomear experiências espirituais, desenvolver sensibilidade para os sinais da caminhada, fortalecer o vínculo com o bebê desejado, recuperar a fé e atravessar a infertilidade com mais sentido, paz e confiança.
8. O Bendizer como campo de transformação espiritual
Além dos relatos ligados diretamente à fertilidade, algumas respostas indicam que o Bendizer foi percebido como um campo de transformação espiritual mais amplo. Para essas participantes, o contato com o Instituto não se limitou ao desejo de ter filhos, mas alcançou dimensões como bondade, presença, autorregulação emocional, fé, paz e modo de viver.
“Eu vivi tantas experiências com o bendizer que o que posso dizer é que todas somaram à minha transformação e o caminho até os meus filhos. Mas essa em especial… eu não tenho palavras! Eu sinto no meu corpo as sensações dessa meditação. Eu sinto o cheiro das folhas, o vento no quintal. Foi muito forte.”
“Tudo tem um significado na Vida da gente
Temos uma Missão a cumprir aqui naTerra q não sabemos como é Mas qd estudamos e nos acolhemos. Sentimos muito a presença de Deus em nossa vida e tudo vai ficando mais claro e verdadeiro. Eu amo estar na presença com Gabriela , elas nos ensina a viver de modo natural. É uma conexão incrível as mulheres q Gaby junta pra um curso. É mt amor verdadeiro. É paz”
“Na verdade, as obras do Bendizer são profundas, e muita teoria e prática importante, gostaria que mais pessoas se abrissem para acessar todo esse material maravilhoso, que não é só para tentantes… é para a Vida. Só posso agradecer a Gabby pela obediência espiritual e pelo Bendizer em sua contribuição para o mundo 🙏🏽🌷”
“Que a infertilidade é um chamado mesmo. Não é falácia. Quanto mais unidos a ciência e a espiritualidade, mais longe chegaremos enquanto sociedade. Nao apenas sobre a infertilidade.”
Esses relatos ajudam a compreender o Bendizer como um ambiente espiritual e comunitário que, para parte das participantes, favoreceu não apenas a esperança pela maternidade, mas também um processo de desenvolvimento humano. Essa percepção é coerente com a proposta do Instituto de compreender a jornada tentante como uma experiência que envolve corpo, emoção, espiritualidade, consciência e transformação interior.
9. A experiência espiritual como sentido, não como garantia
Por fim, alguns relatos ajudam a estabelecer o limite ético mais importante da pesquisa: os sinais não devem ser tratados como garantia de resultado. Ainda que muitas mulheres tenham associado sinais à aproximação do filho, outras compreenderam que a função espiritual desses acontecimentos era oferecer sentido, amparo e continuidade — não controlar o futuro.
“A certeza de que não estava só!”
“Paz, amor, verdade, conexão com a espiritualidade, a sensação de que sou muito protegida e cuidada. Uma confiança profunda na vida sem ter certeza de nada.”
“Que eu posso falar com Deus em todos os momentos. Ele está sempre presente nos momentos de angústia e de paz, só temos que estar receptiva para entender.”
“Talvez uma das maiores lições seja que a espiritualidade, em sua melhor forma, não serve para dar respostas prontas para o sofrimento, mas para ajudar as pessoas a atravessá-lo com dignidade, esperança e compaixão. A infertilidade não é apenas uma questão médica; é uma experiência profundamente humana que toca identidade, relacionamentos, fé e sentido de vida. Por isso, merece ser tratada com mais escuta e menos julgamentos.”
Esses relatos sintetizam uma das contribuições centrais da Pesquisa Bendizer 001. Os sinais da caminhada não devem ser compreendidos como provas, previsões ou exigências espirituais. Para muitas mulheres, eles funcionam como linguagem de sentido: não explicam tudo, não garantem tudo e não eliminam a dor, mas ajudam a atravessar a espera com mais fé, presença, vínculo e humanidade.
Síntese da leitura qualitativa
A análise das respostas abertas permite identificar alguns eixos principais. O primeiro é a força do arco-íris como símbolo espiritual recorrente no campo Bendizer. O segundo é a presença da natureza, dos sonhos, das músicas e das intuições como formas pelas quais as participantes significam a experiência da espera. O terceiro é a percepção de que a maternidade pode começar antes do positivo, por meio do vínculo espiritual, da oração, da conversa interior e da preparação para receber o filho. O quarto é o reconhecimento do Bendizer como espaço de linguagem, pertencimento, orientação e transformação espiritual para muitas mulheres. O quinto é a necessidade de discernimento ético: os sinais podem fortalecer esperança e paz, mas não devem ser transformados em promessas, garantias ou instrumentos de controle.
Dessa forma, a parte qualitativa da Pesquisa Bendizer 001 dialoga com e aprofunda os dados quantitativos. Ela mostra que, para as mulheres pesquisadas, os sinais da caminhada não se reduzem a eventos externos. Eles se tornam experiências de sentido, sustentação, vínculo e transformação interior. Dentro desse campo, o Bendizer aparece entrelaçado à forma como muitas participantes aprenderam a perceber, nomear e acolher a espiritualidade presente na jornada tentante.
Considerações éticas
A Pesquisa Bendizer 001 exige uma leitura ética e responsável.
Em primeiro lugar, os resultados não devem ser usados para afirmar que sinais espirituais garantem gravidez, indicam merecimento ou comprovam objetivamente a presença de uma criança no plano espiritual. A pesquisa trata de relatos, percepções, interpretações e significados atribuídos pelas participantes.
Em segundo lugar, os dados não devem ser generalizados para todas as mulheres em jornada de fertilidade. O público pesquisado foi composto por mulheres alcançadas por canais do Instituto Bendizer, incluindo lista de alunas e ex-alunas e o perfil oficial do Instituto no Instagram. Portanto, trata-se de uma amostra autoselecionada, com provável abertura prévia à espiritualidade e ao olhar Bendizer sobre a jornada tentante.
Em terceiro lugar, é necessário reconhecer que a busca por sinais pode ser fonte de ansiedade para algumas mulheres. Por isso, a espiritualidade não deve ser estimulada como cobrança, comparação ou tentativa de controle. A ausência de sinais não deve ser interpretada como ausência de amor, conexão, merecimento ou presença espiritual.
Em quarto lugar, a pesquisa reafirma que espiritualidade e medicina não precisam competir. A jornada da fertilidade pode envolver acompanhamento médico, tratamentos, exames, intervenções, cuidado psicológico, apoio emocional, práticas espirituais, oração, meditação, vínculo, presença e construção de sentido. Cada dimensão observa uma parte da experiência humana.
Conclusão
A Pesquisa Bendizer 001 indica que, entre mulheres vinculadas ou expostas ao universo Bendizer, experiências espirituais, sinais, sonhos, intuições, arco-íris e sincronicidades ocupam um lugar significativo na jornada tentante.
Os dados mostram que 94,3% das participantes relataram ter vivido alguma experiência interpretada como sinal, sincronicidade ou manifestação espiritual. O arco-íris apareceu como símbolo expressivo, sendo relatado por 82,9% das participantes em momentos significativos da caminhada. As experiências foram associadas principalmente a presença espiritual, esperança, confiança, emoção, paz e conexão com o bebê desejado.
A pesquisa também revelou que a jornada de fertilidade foi percebida como processo de transformação interior por praticamente todas as respondentes: 86,7% afirmaram ter vivido uma transformação profunda e 12,4% reconheceram transformações em alguns aspectos. Entre as mudanças percebidas, destacaram-se mais conexão espiritual, mais fé, mais consciência sobre si mesma, mais amor pelo filho desejado, mais confiança, mais humildade, mais cuidado com o corpo e mais paciência.
Outro achado central foi a percepção de que a maternidade pode começar antes do positivo. Para 96,2% das participantes, a maternidade já foi sentida antes da confirmação da gestação. Esse dado expressa uma das contribuições mais importantes do olhar Bendizer: a maternidade não se limita ao resultado biológico, mas pode começar na relação, no vínculo, na oração, na preparação interior e no amor dirigido à criança desejada.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta a necessidade de maturidade espiritual. A busca por sinais pode fortalecer a esperança, mas também pode gerar ansiedade quando passa a funcionar como exigência, comparação ou tentativa de controlar o futuro. Por isso, os sinais da caminhada precisam ser acolhidos com discernimento. Eles não devem ser transformados em promessas, previsões ou garantias, mas compreendidos como experiências de sentido dentro da história particular de cada mulher.
A principal contribuição da Pesquisa Bendizer 001 está em tornar visível uma dimensão frequentemente pouco considerada na sociedade: a experiência espiritual da mulher tentante. A infertilidade, a espera, os tratamentos e as perdas não acontecem apenas no corpo físico. Elas também atravessam a fé, o imaginário, a esperança, a relação com Deus, o vínculo com o filho desejado, a identidade da mulher e a forma como ela compreende a própria vida.
Ao organizar esses dados, o Centro de Pesquisa Bendizer registra um campo de experiência construído ao longo de anos de caminhada com mulheres tentantes. Os resultados mostram que, para esse grupo, os sinais da caminhada não são apenas acontecimentos externos. Eles se tornam linguagem de sentido, recurso de sustentação e expressão de uma espiritualidade vivida no cotidiano da espera.
A Pesquisa Bendizer 001, portanto, não conclui que os sinais explicam a infertilidade ou determinam seus desfechos. Ela conclui que, para muitas mulheres que tiveram contato com o Bendizer, a espiritualidade oferece uma forma de atravessar a jornada com mais esperança, paz, vínculo, consciência e humanidade.
Essa talvez seja a contribuição mais importante do estudo: lembrar que a jornada tentante não se resume ao diagnóstico, ao tratamento ou ao positivo. Ela também envolve travessia interior, construção de sentido, amadurecimento espiritual e a possibilidade de transformar a espera em um caminho de desenvolvimento humano.
Importante:
Este estudo não possui finalidade clínica, diagnóstica ou terapêutica. Seus resultados devem ser compreendidos como registro exploratório e descritivo de percepções, sentidos e experiências relatadas por participantes vinculadas ou expostas ao universo Bendizer.
Gabriela Lacerda
Centro de Pesquisa Bendizer em Espiritualidade, Fertilidade e Desenvolvimento Humano
www.institutobendizer.com.br